
Amou e foi amado
Ao se despedir do pai, ontem, nos funerais em Belo Jardim, o deputado Mendonça Filho disse que José Mendonça Bezerra não tinha correligionários, mas amigos. “Ele não sabia fazer política sem explodir seus sentimentos, suas emoções, seu carinho”, afirmou.
As palavras do filho bateram, mais tarde, no cortejo até o cemitério, com o sentimento do povo. “Eu já perdi meu pai biológico, agora perdi meu pai que me adotou”, disse o agricultor Severino Aureliano da Silva, 58 anos, encontrado na caminhada até o cemitério sob forte calor e emoção.
A cidade em que Mendonção nasceu, fez carreira e ingressou na política parou para dar o último adeus a quem tanto amou aquele torrão natal. Uma multidão lotou o ginásio Diocesano, onde o corpo foi velado e depois o cemitério São Sebastião. Na descida do caixão à sepultura, ninguém resistiu à tamanha emoção depois que algumas canções preferidas do velho cacique foram ouvidas na leveza de um piston.
Mendonção era um homem largo, na dor e na alegria. Sedutor e cativante. Amado pelo seu povo. E o amor da sua gente foi manifestado ontem de todas as formas. Num choro discreto, nos depoimentos emocionantes, na paciência de enfrentar uma fila quilométrica para ver o seu corpo. Certamente, Mendonção não tinha noção do quanto era amado.
GRANDEZA– Entre os políticos vistos no meio da multidão em Belo Jardim, o ex-deputado Cintra Galvão. Talvez não despertasse tamanha curiosidade por um simples detalhe: Cintra era o mais temido e odiado adversário do grupo Mendonça. “Não posso deixar de trazer minha solidariedade à família”, disse. Se Mendonção não tivesse morrido, seria o adversário de Cintra na briga pela Prefeitura em 2012. E, assim, Belo Jardim iria reviver mais um clássico na política.
Baixa socialista - Se o Supremo Tribunal federal decidir, hoje, que a vaga do suplente deve ser ocupada pelo representante da coligação e não do partido quatro deputados perderão seus mandatos na Assembleia Legislativa, entre eles dois aliados do PSB do governador – Ciro Coelho e Sebastião Rufino.
Denúncia é dos tribunais - O prefeito de São Lourenço da Mata, Ettore Labanca (PSB), estranha a reação agressiva do senador Jarbas Vasconcelos no affair BR-232, até porque, segundo ele, não se trata de perseguição do Governo Eduardo à gestão passada nem a ele. “Quem constatou irregularidades na duplicação da estrada foram os tribunais de contas do Estado e da União”, diz.
Sem apoio - A morte de José Mendonça deve levar o prefeito Marco Coca-Cola (DEM) a rever a sua decisão de não disputar a reeleição. Intrigado com o ex-prefeito João Mendonça, que também se atritou com o ex-líder do grupo, Coca-Cola já dizia, ontem, no enterro, que não havia a menor possibilidade de apoiar João.
Intriga caruaruense - O deputado Tony Gel lamenta que Caruaru perca a Fórmula Truck, historicamente realizada no município, por causa da situação de abandono do autódromo. “Não sei qual a razão, mas José Queiroz não gosta de dar continuidade às obras de João Lyra”, alfinetou. Em tempo: a pista foi feita na gestão do vice-governador.
CURTAS –
GESTO– O presidente do grupo EQM, Eduardo Monteiro, fez questão de ir ao enterro do ex-deputado José Mendonça, ontem, em Belo Jardim. “Não poderia faltar. Fui seu amigo e sou amigo de toda a família”, disse, bastante emocionado.
NOVELEIRO– O ex-ministro Gustavo Krause foi um dos primeiros a chegar, ontem, ao velório de Mendonção em Belo Jardim. “Perdi um grande amigo, que tinha virtudes e um vício como eu: era noveleiro, daqueles que não perdem um capítulo”.
BANCADA– O deputado Gonzaga Patriota assume, hoje, a coordenação da bancada do Nordeste no Congresso. Entre as suas prioridades, a luta pela manutenção da liberação de recursos para obras hídricas na região, como a Transposição.
'O inferno e a perdição estão perante o SENHOR; quanto mais os corações dos filhos dos homens?' (Provérbios 15-11)
Postado Por: Soares
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