
Folha de S.Paulo
No início de seu segundo ano de governo, Dilma Rousseff repetirá o roteiro que fez Luiz Inácio Lula da Silva quando mal tinha assumido, em 2003: comparecerá tanto ao encontro anual do Fórum Econômico Mundial, que todo janeiro reúne a elite global na cidadezinha suíça de Davos, como ao Fórum Social Mundial, seu rival ideológico, que, em 2012, volta a Porto Alegre.
A presença em Davos já foi acertada com Klaus Schwab, o empresário e professor suíço que coordena o evento, a maior concentração mundial de personalidades da política, da academia e, principalmente, do empresariado.
O Brasil, aliás, será o destaque de Davos-2012. Todo ano, um país organiza uma série de eventos para chamar a atenção sobre si. Já a presença em Porto Alegre ainda é apenas um desejo da assessoria palaciana.
Lula transitou com facilidade entre os dois ambientes opostos porque sua política pró-mercado deslumbrou o empresariado, mesmo mantendo os antigos laços com as organizações sociais que formam o chamado "povo de Porto Alegre".
Dilma, de tardia adesão ao PT, não tem tais laços. Não perdeu o apoio do empresariado, mas tampouco o deslumbra, ao contrário de Lula. Discursar ante os dois públicos seria uma maneira de marcar pontos com ambos.
Postado Por: Soares
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