

BRASÍLIA - Cícero renunciou a candidatura, mas em momento algum ele prometeu lavar as mãos neste pleito. Sua estratégia é a mesma de Mahatma Gandhi: vencer a guerra sem disparar um tiro.
Há uma revolução silenciosa nos bastidores da política paraibana. O cicerismo move-se com sutilidade e vai impor uma derrota aos que conspiraram contra o seu líder.
Essa estratégia genial consiste em fazer do PSDB um aliado pesado para Ricardo Coutinho, transformando inversamente o que era desejado em problema através da exigência do chapão e a futura imposição de João Fernandes para vice.
Se de um lado o cicerismo alimenta o ego de Cássio mantendo-o como líder e candidato, do outro amplia a dose do veneno que mata lentamente a candidatura de Ricardo na Capital.
Mas, a estratégia do cicerismo não se limita a sufocar o arquiinimigo. Ou
tros personagens da conspiração arquitetada antes da viagem de Cássio aos Estados Unidos receberão a parte que lhe cabe neste latifúndio da vingança branca.
Efraim Morais, aquele que jogava todo dia uma pá de terra na candidatura de Cícero, enquanto Cássio fotografava borboleta em New York, também vem sendo secado.
Se o trabalho sujo fica por conta das mágoas de José Dirceu e do Correio Braziliense, o contraponto político está evidenciado na cartada que o senador Cícero Lucena pessoalmente tem dado nos bastidores ao deixar cristalino que derrotará Efraim através da eleição do amigo fiel Wellington Roberto.
Cícero é o único que estará nas duas chapas sem estar oficialmente em nenhuma.
Derrotar Ricardo é a prioridade, eleger Wellington é uma questão de gratidão e estratégia para 2012 E é este componente novo que a disputa por uma vaga no Senado traz a partir de agora para os holofotes.
Cícero vai comer esse prato frio, pois a vingança tem vários sabores.
De Cássio ele quer o singular - "cuide de sua campanha!"; de Maranhão ele quer o plural - "Wellington é o nosso senador!". Seu coração é grande e nele cabem os contrários. Sem disparar um tiro ele vai vencer a guerra, sem ser candidato ele vai ampliar seu patrimônio eleitoral.
O fenômeno do cruzamento do voto Cássio-Maranhão é a resposta do paraibano plural.
Antenado, Cícero assimilou antes e vai eleger dois senadores e um governador.
O recado está dado e 2006 só se repetirá se o croupier quiser. Ou QuinZé.
Fonte: Dércio
Postado Por: Soares
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