
Ricardo Coutinho deve se esforçar para conquistar eleitores de Cássio
Entre outras coisas, está claro: a oposição tem a árdua missão de iniciar um projeto de transposição dos eleitores do ex-governador Cássio Cunha Lima para o ex-prefeito Ricardo Coutinho.
Os últimos números da pesquisa Ibope tanto para o Senado quanto o Governo do Estado, revelam que, teoricamente, Ricardo tem uma margem de crescimento que ainda não foi explorada.
Cássio tem 45% dos votos para o Senado, o que significa nove pontos a mais do que Ricardo, em que pese a disputa ser distinta. Teoricamente, no entanto, eles devem estar próximos já que, no papel, estão juntos.
O problema está na aplicabilidade do conceito. Como já dissemos, lideranças políticas, prefeitos e eleitores votam em Cássio, mas não se sentem “obrigados” ou “estimulados” a votar em Ricardo.
Será preciso quebrar essa resistência, coisa semelhante o que estaria acontecendo, por exemplo, se Lula fosse candidato ao Senado, defendendo Dilma para presidente da República.
O PT tem conseguido transpor, senão a simpatia de Lula, mas o mérito do seu governo, o que tem resultado no crescimento da campanha presidencial petista.
Aliás, este ponto vale um rápido registro: enquanto o governo Lula continua funcionando e na mídia para favorecer Dilma Roussef, que seria a grande responsável, a prefeitura de João Pessoa, do ponto de vista midiática, parou, até pela discrição do prefeito Luciano Agra, deixando de gerir boa imagem para Ricardo Coutinho.
Depois, Ricardo precisa descobrir que, com a força eleitoral de Cássio, será necessário admitir: o ex-governador tem, querendo ou não, primazia nas definições de rumo da oposição.
Os mais ricardistas podem franzir a testa, mas não se briga com os números. Ricardo está perdendo em João Pessoa, onde é líder sem precisar de Cássio, e só está ganhando em Campina Grande...por quê?
Sendo mais objetivo, do jeito que a coisa está caminhando, Cássio é quem deve indicar o candidato a vice-governador, entre outras decisões. Desde que sejam indicações internas. Para que o público que vota em Ricardo por mérito pessoal não sinta que o ex-prefeito esteja perdendo a autonomia.
Aliás, esse é o grande desafio de Ricardo. Ter a consciência que depende da liderança de Cássio, sem perder o verniz de candidato ao governo autônomo.
Ou seja, tem que explorar os votos de Cássio se vinculando a ele como mancha de pele, mas não se permitindo ser um mamulengo para não fazer com que o eleitor perca o orgulho de votar no candidato ao governo.
Postura difícil, mas possível.
Breves leituras
- Os números revelam que o senador Efraim Morais (DEM) tem gordura, leia-se tempo, para dissipar a nuvem negra que pesa sobre sua cabeça. O desafio é todo dele;
- Ficou claro com o Ibope que o deputado federal Vital do Rego não conseguiu conquistar os votos do irmão, o prefeito Veneziano Vital do Rego. Embora irmãos de sangue, correm votos diferentes em suas veias;
- Impressionante como o governador José Maranhão ainda não conseguiu emplacar candidatos a senador competitivos. Ney Suassuna (PP) e Luiz Couto (PT), que nem são candidatos, superam os prováveis candidatos do governador.
Fonte: Luís Tôrres
Postado Por: Soares
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